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Se as escolas e creches públicas são tão boas, por que os filhos dos políticos não estão lá?
Um exemplo típico de hipocrisia é criticar alguém por realizar uma ação enquanto se pratica ou se praticou a mesma conduta.

A hipocrisia consiste em simular ter crenças, valores, ideias e emoções que, na realidade, a pessoa não possui, frequentemente exigindo que os outros ajam de acordo com determinados padrões éticos que ela mesma ignora ou não adota. O termo tem origem no latim “hypocrisis” e no grego “hupokrisis” — ambos referindo-se à atuação de um ator, à performance, ao fingimento (no contexto artístico).
Com o tempo, essa palavra passou a ser utilizada para descrever moralmente indivíduos que simulam ou imitam comportamentos. Um exemplo típico de hipocrisia é criticar alguém por realizar uma ação enquanto se pratica ou se praticou a mesma conduta.
Desse mesmo modo, estamos vendo acontecer na política atual, onde milhares de propagandas buscam corromper as mentes das pessoas. Um exemplo claro disso, está na educação no ensino básico e médio, onde diversos prefeitos, dizem ter o melhor Ideb, as melhores creches e escolas públicas, no entanto, seus filhos estudam em grandes escolas particulares.
Em 2007,o senador Cristóvam Buarque,teve uma idéia muito boa quando apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, Deputado, etc.) fosse obrigado a colocar os filhos na escola pública. No entanto, ainda parada no Congresso nacional, a Lei foi muito criticada pelos políticos.
Segundo o senador, “as conseqüências seriam as melhores possíveis’.
“Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil”, disse o senador.
No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público.
Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas.
Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios.
Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos.
Pode-se estimar que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais -vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e seus suplentes, governadores e vice-governadores, Presidente e Vice-Presidente da República – deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos alcançando a dedução de R$ 2.373,84 inclusive no exterior.Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitorais.
Se esta proposta tivesse sido adotada no momento da Proclamação da República, como um gesto republicano, a realidade social brasileira seria hoje completamente diferente.
Entretanto, a tradição de uma República que separa as massas e a elite, uma sem direitos e a outra com privilégios, não permite a implementação imediata desta decisão.
Seria injustificado, depois de tanto tempo, que o Brasil ainda tivesse duas educações – uma para os filhos de seus dirigentes e outra para os filhos do povo -, como nos mais antigos sistemas monárquicos, onde a educação era reservada para os nobres.




