Política

Rádios de Petrolina e o “coronelismo eletrônico”

A posse de rádios e TVs por políticos no Brasil é um fenômeno recorrente, amplamente conhecido como “coronelismo eletrônico”, que compromete a democracia ao desrespeitar princípios constitucionais e influenciar de forma desequilibrada a disputa eleitoral.

O Artigo 54 da Constituição Federal impede deputados e senadores de estabelecer ou manter contratos com concessionárias de serviços públicos, como rádios e emissoras de TV. Contudo, essa proibição é frequentemente burlada por meio do uso de intermediários ou parentes. No Vale do São Francisco, grande parte das rádios é controlada por famílias com tradição política, o que acaba deturpando o verdadeiro propósito do jornalismo de qualidade nas emissoras de rádio. Até mesmo rádios comunitárias se envolvem nesse cenário, contribuindo para um desequibrio no panorama político.

Especialistas destacam que a ausência de uma regulação eficaz, aliada à prática histórica de trocar concessões por apoio político um resquício de períodos como a ditadura e o governo Sarney —, mantém e reforça essa concentração. Esse cenário centraliza o poder de moldar a opinião pública em poucos agentes com interesses próprios, restringindo o pluralismo e a diversidade no acesso às informações.

A posse de rádios por políticos gera desequilíbrio na disputa eleitoral devido à visibilidade midiática e ao uso dessas concessões para promoção política. Pesquisas indicam que, mesmo quando alegam ter vendido as cotas, muitas vezes o processo não foi autorizado pelo Ministério das Comunicações, tornando a situação ilegal.

 Vale lembrar que a relação entre políticos e a propriedade de rádios costuma envolver familiares, o que pode não aparecer diretamente em registros simples de propriedade da emissora.

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