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Quem só lê o título de matérias pensa saber mais do que realmente sabe

Estudo indica que usuários que têm comportamento passivo diante das notícias sabem pouco sobre elas

Usuários de redes sociais que leem apenas os títulos das matérias pequenas obtêm apenas pequenas doses de informação, mas têm confiança em excesso. Foi isso o que concluiu um estudo publicado no Research And Politics.

Segundo os pesquisadores, a maioria das pessoas não consome os conteúdos na íntegra – o usuário de facebook mediano clica em apenas 7% das matérias sobre política que aparecem em seu feed – e, mesmo, com o baixo nível de aprofundamento, muitos deles acreditam ter mais conhecimento do que realmente possuem; principalmente aqueles com sentimentos e opiniões mais fortes.

“Como os usuários de redes sociais têm um comportamento passivo diante das notícias veiculadas, a exposição às informações de cunho político na rede cria simplesmente a ilusão de que há um aprendizado político”, explicaram os cientistas na Universidade de Pensilvânia.

Testes de conhecimento

O experimento incluiu um desafio, no qual cada participante deveria responder a uma pesquisa para determinar o seu grau de conhecimento e seu estilo cognitivos diante de três situações diferentes.

Ao primeiro grupo (320 pessoas), foi solicitada a leitura de um artigo do The Washington Post sobre alimentos geneticamente modificados (AGM). O segundo grupo (319 pessoas), por sua vez, recebeu um feed de notícias do Facebook com a pré-visualização de quatro matérias, incluindo a mesma entregue ao primeiro grupo. Já o terceiro grupo (351 participantes) não recebeu nenhuma informação.

Todos os participantes responderam a seis questões factuais, sendo que cinco respostas estavam no artigo sobre alimentos geneticamente modificados e três se encontravam na pré-visualização do feed de notícias. Além disso, para avaliar o grau de confiança de cada um dos indivíduos, todos também tiveram que chutar o número aproximado de perguntas que acreditavam ter acertado.

Sem surpresas

Como era esperado, o primeiro grupo, que leu o artigo na íntegra, acertou o maior número de questões; enquanto que aqueles que apenas leram a pré-visualização do feed (segundo grupo), acertaram, em média, apenas uma questão a mais do que os participantes que não tinham recebido nenhuma informação sobre o assunto – nem mesmo o título da matéria (terceiro grupo).

Porém, mesmo quem acertou mais questões não teve tanta confiança quanto quem apenas leu o feed. Os leitores dos títulos das matérias sobreavaliaram o seu próprio conhecimento, demonstrando não apenas confiança exacerbada, mas também uma cognição ligada à emoção. O sentimento e as intuições têm pesos tão elevados que não sobra espaço para dúvidas, sendo que a “impressão” de estar certo ganha maior relevância e dá mais satisfação do que o próprio acerto em si.

“Aqueles que foram movidos pela emoção permitem que os sentimentos positivos, relacionados ao ato de se estar certo, superem a necessidade da real precisão. Portanto, eles se prendem em uma exposição limitada a informações falsas e que permitam turbinar a confiança no conhecimento em determinado assunto”, concluíram os pesquisadores.

Informações rasas e Fake News

As conclusões da pesquisa são preocupantes – ainda mais em uma época na qual que fake news e informações incompletas se espalham rapidamente nas redes sociais. Um outro estudo, da Associação Econômica Americana, levantou uma base de dados de 156 fake news sobre Hilary Clinton e Donald Trump, todas compartilhadas no Facebook, em um total de 40 milhões de vezes durante os três meses anteriores às Eleições Americanas de 2016.

No Brasil, uma pesquisa da IDEA Big Data feita de 26 a 29 de outubro de 2018 com 1491 pessoas no País, analisou o Facebook e Twitter para detectar a incidência de notícias falsas. Foi constatado que 93,1% dos eleitores de Bolsonaro entrevistados viram notícias sobre a fraude nas urnas eletrônicas (o que é comprovadamente falso) e 74% afirmaram que acreditaram na história.

No relatório do Research And Politics, cientistas relacionam a leitura exclusiva dos títulos e a falta de aprofundamento com a propagação de fake news. “Conforme o Facebook se torna cada vez mais uma fonte para notícias, o excesso de confiança das audiências pode ser potencialmente problemático, ainda mais se o conhecimento tem como base a desinformação”, alertam. A esperança é que agora os resultados ajudem na investigação de como as emoções humanas podem contribuir na propagação de notícias falsas.

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