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Frente a frente e nada de novo na campanha de Petrolina

Apesar do esforço titanico, a imprensa de Petrolina não conseguiu extrair dos candidatos ao cargo de prefeito,algo que chamasse a atenção nessa campanha de 2024.A população também aguardou por esse “novo”, mas acabou se decepcionando.

As campanhas eleitorais não trouxeram um novo tempero.O que de fato ficou evidente,foi a vala comum,de marketeiros cansados,sem autenticidade,usando o que já fora usado.Quem ainda conseguiu fazer diferente foram as equipes que fizeram os programas de rádio que ressuscitaram as novelinhas e prenderam seus ouvintes.Fora isso,apenas mais do mesmo.

Na reta final,sobra decepção e a saudade. de campanhas empolgantes.Eleição não é novidade no Brasil, mas o que muda com o decorrer do tempo são as regras do jogo para a escolha dos eleitos e as estratégias dos candidatos para chegar até o eleitor. Nesse segundo caso, vamos ser sinceros: a cada eleição que passa a campanha é mais chata e menos transparente quanto à capacidade dos candidatos.

Eu me lembro das primeiras campanhas que vi, ainda criança, aqui em Petrolina. A alegria das crianças era percorrer os comitês dos candidatos em busca de brindes. Era só chegar e sair com adesivos de tamanhos variados, daqueles que tinham um cheiro de tinta ou alguma outra química que faziam a gente passar um tempão com eles encostados no nariz.

Tinha também caneta, lápis, régua, copo, calendário, chaveiro, flâmula, caneca e mais um sem número de agrados aos votantes. Não podiam faltar, é claro, as carteiras plastificadas para colocar dentro o título de eleitor. Depois de fazer a coleta nos vários comitês, as crianças iam para casa e entregavam aos pais o que não tinha serventia para elas. Esse era um dos caminhos para o candidato chegar até o eleitor.

Mas isso era a estratégia do dia a dia. Algumas vezes durante as campanhas –que pareciam interminavelmente mais longas que os 47 dias atuais– aconteciam os momentos mais importantes, talvez até decisivos, da corrida pelo voto: os comícios eleitorais.

Era quando os candidatos tinham que se apresentar ao eleitor de cima de um palanque, com microfone em punho, roupa de “missa” e tentar convencer no gogó o cidadão a votar nele. Ou seja, era “a hora da onça beber água”, quando um candidato podia sair consagrado do comício ou ficar desmoralizado por um bom tempo. Os piores eram alvo de gozações eternas, ganhavam apelidos jocosos e, se não tivessem muita personalidade, se mudavam para bem longe daquele “povo ingrato”.

Pérolas do folclore político

Aqui em Petrolina aos poucos fui tomando contato com as histórias dos antigos comícios e, ao mesmo tempo, acompanhando os comícios do meu tempo. Primeira lição que aprendi: o tal “povo ingrato” inventava muitas histórias sobre políticos e comícios. Eram histórias –verdadeiras ou realmente fruto da imaginação ou da maldade– tão engraçadas e mordazes que iam mudando de personagens, ou seja, uma mesma história era atribuída a vários políticos. Ainda me recordo de algumas:

Uma candidata a vereadora, subiu no coreto da praça da 21 de setembro, abarrotada de público, e gritou no microfone algo mais ou menos assim: – É com muita honra que eu venho a esta progressista cidade de Petrolina, para dizer que eleita,eu e dotô Augusto,na Cama de vereador,vamos fazer miséras!

> Tem também o personagem, o que “roubava mas fazia”, que antes ou depois de um comício em Petrolina, passou pela casa do seu maior correligionário na cidade para comer e beber alguma coisa e atender eleitores com pedidos diversos. O que se conta é que o candidato, que era famoso por não ser muito fino, foi ao banheiro e, de porta aberta, recebia as cartinhas e ofícios com os pedidos dos eleitores e despachava tudo de lá mesmo, de cima do “trono”.

Tudo mudou!

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