Política
Eleitores de Petrolina expressam descontentamento diante dos acontecimentos desta semana
Petrolina, no entanto, parece estar se transformando em um terreno fértil para políticos sem ideologia definida e cuja conduta deixa a desejar. A cidade, que poderia se orgulhar de produzir lideranças comprometidas, vem ganhando a infeliz reputação de criar figuras que sucumbem às tentações do poder e do dinheiro, abandonando os valores que deveriam norteá-las.

A expressão “políticos não têm vergonha” reflete um sentimento disseminado de insatisfação e descrença em relação ao comportamento daqueles que ocupam cargos públicos. Contudo, é importante lembrar que a vergonha é uma emoção subjetiva e não pode ser atribuída universalmente a todos os políticos. Esse pensamento tende a ser alimentado pelos frequentes escândalos de corrupção, práticas pouco transparentes e pela percepção de que os interesses da sociedade são, por vezes, colocados em segundo plano.
Petrolina, no entanto, parece estar se transformando em um terreno fértil para políticos sem ideologia definida e cuja conduta deixa a desejar. A cidade, que poderia se orgulhar de produzir lideranças comprometidas, vem ganhando a infeliz reputação de criar figuras que sucumbem às tentações do poder e do dinheiro, abandonando os valores que deveriam norteá-las.
Nesse cenário, homens e mulheres antes considerados íntegros acabam desviando-se dos bons caminhos. Há quem diga que “política é um jogo de sobrevivência“. Concordo com essa afirmação em parte. Porém, sobreviver na política não deveria significar se submeter a grupos por pressão ou por acordos feitos em escritórios fechados.
Neste ano, testemunhei amigos renunciarem aos seus ideais e baixarem suas guardas diante da força avassaladora de um grupo que domina tudo. Quem tenta confrontá-los é rapidamente engolido pela influência que exercem.
O caso mais emblemático talvez seja o do vereador Gabriel Menezes, que, em troca de benefícios temporários, comprometeu sua credibilidade e deixou de lado tudo aquilo que construíra. A decisão pode parecer vantajosa agora, mas o preço a longo prazo será alto — potencialmente até culminando na perda do mandato conquistado pelo respeito e admiração do povo.
Outro episódio marcante ocorreu esta semana, quando Lucinha Mota, outrora símbolo de resistência e luta pelos mais necessitados, foi vista sorridente ao lado do grupo dominante da cidade, do qual ela mesma havia sido alvo anteriormente. Sua nova posição no “staff” do prefeito foi recebida com tristeza por aqueles que admiravam sua trajetória de coragem e defesa dos mais frágeis.
Por fim, o vereador Ronaldo Silva também dá indícios de uma aproximação com esse grupo. Sobre ele, porém, prefiro me abster de comentários — há momentos em que as palavras simplesmente não valem a pena ser escritas.




