Política

Os altos cachês em festas juninas

Não é necessário acabar com as festas juninas ou qualquer outra manifestação cultural regional ou nacional. No entanto, é importante discutir os valores altos pagos às bandas famosas pelos governos municipais. No caso das festas juninas, seria interessante resgatá-las mais próximas de suas raízes tradicionais.

As festas juninas, com toda a sua cultura e tradições, são uma verdadeira fonte de oportunidade para as prefeituras e o comércio local. Os eventos, as comidas típicas e o apelo turístico que essas festas têm ajudam a gerar renda e fortalecer a economia da região.

Não é necessário acabar com as festas juninas ou qualquer outra manifestação cultural regional ou nacional. No entanto, é importante discutir os valores altos pagos às bandas famosas pelos governos municipais. No caso das festas juninas, seria interessante resgatá-las mais próximas de suas raízes tradicionais.

Uma celebração que começou como uma festa familiar acabou mudando bastante, chegando a disputar espaço com o carnaval. Caruaru e Campina Grande travam uma disputa pelo título do maior São João, assim como Salvador e Recife competem para ser reconhecida como a melhor festa de carnaval do Brasil.

O licor que antes era comum nas visitas entre famílias foi trocado pelos sofisticados drinks de frutas, especialmente os chamados “capetas”. As comidas caseiras feitas de milho deram lugar a bolos e doces industrializados mais elaborados. As fogueiras tradicionais foram substituídas por perigosas guerras de espadas, e os fogos de artifício deram espaço para pirotecnias de refletores gigantes.

Essas mudanças fazem parte do crescimento natural da nossa sociedade e do avanço das tecnologias. No entanto, muitas dessas transformações são impulsionadas por grandes empresas que promovem massivamente músicas, bebidas e outros produtos, deixando de lado as manifestações tradicionais autênticas do São João.

Com tantas mudanças, os festejos em família foram se afastando, sendo substituídos por grandes festas industriais e tecnológicas. E aí surge um problema maior: essa transformação toda acabou criando uma verdadeira distorção, que virou uma questão importante para todos: as prefeituras assumiram os papéis das famílias e passaram a competir entre si e a bancar as festas com o dinheiro escasso do contribuinte.

A partir de então, na busca pelo destaque, as cidades passaram a contratar duplas sertanejas, cantores de axé e de diversos estilos musicais, numa corrida louca para fazer o São João da sua cidade se sobressair perante os outros municípios da região. A competição foi além da música, com disputas como “o forró daqui é melhor do que o seu”. Os artistas mais famosos passaram a cobrar cachês cada vez mais altos, chegando a valores exorbitantes. Recentemente, houve uma polêmica nacional, segundo as notícias, quando uma prefeitura do Nordeste teria contratado um cantor por mais de Hum milhão e meio de reais para o São João de 2025.

As festas podem se tornar grandiosas, até mesmo como uma Olimpíada, mas nunca com o dinheiro que falta para manter hospitais, creches, limpar as praças, comprar remédios e equipamentos para exames simples. Isso vale tanto para as prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro, que financiam as escolas de samba, quanto para todas as celebrações pelo Brasil afora. Não somos a Inglaterra. Os ingleses podem sustentar a monarquia deles. Nós não!

Por aqui perdura a cultura de manter, pelo menos, a festa. Um exemplo é essa repreensão de uma petrolinense. “Cauby Fernandes, não reclame do preço das bandas de forró. Só temos a festa para nos divertir. Se acabar com ela, nós não teremos a festa, nem hospital, nem médico; nada.”, disse.

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