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Brasil contabiliza uma média de 85 amputações por dia, com grande influência dos acidentes de trânsito
Uma campanha nacional de conscientização destaca o aumento significativo de procedimentos cirúrgicos realizados pelo SUS, em grande parte provocados pelo crescimento da violência no trânsito

O Brasil atravessa uma situação preocupante na saúde pública. Entre janeiro de 2012 e maio de 2023, mais de 282 mil cirurgias de amputação de membros inferiores foram realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, estima-se que aproximadamente 500 mil pessoas vivem com amputações no país, sendo que alguns estados registraram aumentos superiores a 200% no número desses procedimentos. Somente em 2022, a média foi de ao menos 85 brasileiros perdendo pés ou pernas todos os dias na rede pública de saúde.
Embora doenças como o diabetes desempenhem um papel central nas estatísticas, os sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT), especialmente envolvendo motocicletas, figuram como uma das principais causas traumáticas de amputação no País. Os dados são da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).
Essa situação mantém o Brasil em constante estado de atenção, visto que a alta ocorrência de traumas graves no trânsito não apenas sobrecarrega as unidades de saúde, mas também afeta profundamente a vida de milhares de pessoas a cada ano. Em números absolutos, São Paulo encabeçou a lista de procedimentos realizados em 2022, com 59.114 casos, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O movimento Abril Laranja, que em 2026 completa sete anos de atuação nacional, busca justamente combater as causas dessas amputações e promover a ressignificação da vida dos pacientes. A campanha foca em dois pilares: a prevenção de causas patológicas e traumáticas — com ênfase na redução dos riscos de acidentes de trânsito — e o apoio integral ao amputado.
A gravidade do quadro é reforçada pela alta taxa de mortalidade pós-operatória: dados indicam que 70% dos pacientes que sofrem amputação de membros inferiores vêm a óbito em até cinco anos após o procedimento. Esse índice é agravado em países em desenvolvimento, onde a busca por assistência médica muitas vezes ocorre apenas em estágios avançados de infecção.




