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80% temem contágio por Covid na volta às aulas presenciais

Em média, 80% dos professores, alunos e pais têm medo de serem contaminados pela Covid-19 na volta às aulas presenciais na rede pública .

Uma pesquisa encomendada pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) ao Instituto Vox Populi aponta que, em média, 80% dos professores, alunos e pais têm medo de serem contaminados pela Covid-19 na volta às aulas presenciais na rede pública.

A sondagem foi realizada entre junho e julho deste ano e ouviu 3.600 pessoas, sendo 1.500 professores, 1.500 pais de alunos e 600 estudantes de ensino médio. Segundo a pesquisa, 85,6% dos docentes têm o receio de contrair a doença, assim como 81,8% dos pais e 75,1% dos alunos. Além disso, apenas 25% dos entrevistados afirmam que o governo tem dado condições adequadas para o retorno seguro.

A decisão de volta às aulas é alvo de críticas de Maria Izabel Noronha, a professora Bebel, presidente da Apeoesp. “Sempre defendemos que o lugar dos professores e alunos é na escola, mas sob quais condições? Para nós, o retorno só poderia existir com todos os professores vacinados com as duas doses e contando 14 dias do pós-vacinação completa. Além de garantir as condições necessárias de higiene nas salas de aula e escolas”, afirma Bebel.

A sondagem indicou ainda que 49,9% dos professores tomaram a primeira dose, outros 44,6% receberam as duas e ainda 5,5% não foram imunizados. A maioria dos docentes é contra a volta às aulas presenciais: além de 51,3% dos pais dos alunos e 44,1% dos estudantes. Apenas na capital paulista, 77,5% dos professores se dizem contra a medida.

“Nossa posição é que o governo reflita sobre a volta às aulas na segunda-feira e que ao invés de fazer um retorno geral, faça um diagnóstico de onde os alunos estão, assim poderemos organizar o currículo. É uma oportunidade grande de poder transformar a educação”, destaca a presidente da Apeoesp.

A pesquisa ainda destaca que 15% dos estudantes de abandonaram a escola durante a pandemia do coronavírus. Entre as razões elencadas estão falta de acesso à internet ou de equipamentos adequados e necessidade de trabalhar para ajudar os pais.

“A necessidade do abandono está associada à necessidade de os alunos trabalharem, principalmente pela queda da renda das famílias. Quase 40% fazem um bico ou um trabalho para ajudar a família”, diz Marta Maia, gerente técnica do Instituto Vox Populi.

O comentário é endossado por João Palma Cardoso Filho, ex-secretário adjunto estadual da Educação. “O que se coloca muito para o governo  é o que vai fazer para que esses alunos que abandonaram os estudos voltem às salas de aula”, diz.

Somado a isso, as aulas virtuais foram reprovadas pela comunidade escolar: 66,9% dos professores, 74,7% dos pais e 73,9% dos alunos entrevistados.

Segundo a pesquisa, mais da metade dos das pessoas ouvidas declaram que não receberam do poder público infraestrutura física para trabalharem ou estudarem remotamente, como equipamentos, pacote de dados para acesso à internet ou computadores do governo ou da escola para as aulas remotas. Entre os pais de alunos, essa reclamação chega a 73,8%, ou seja, dois terços. Entre os alunos do ensino médio, 63,2% também não teve este apoio e, entre os professores, 54,3%.

Ainda segundo 50,5% dos professores ouvidos, as escolas onde trabalham não têm disponíveis para aulas, salas com acesso à internet, computadores ou câmeras de vídeo. Este índice sobe para 70,2% na percepção de pais e 61,5% na avaliação de alunos do ensino médio.

Entre os estudantes de ensino médio, 42,5% não têm acesso a computadores. A maioria (94%) teve disponível o celular para acompanhar as aulas virtuais, muitas vezes compartilhado com outro integrante da família.

Outro ponto que chama a atenção é que para 49,2% dos professores houve mais trabalho, chegando a jornadas de até 10 horas. Em contrapartida, os alunos estudaram menos segundo os pais (87,3%), o que foi confirmado pelos estudantes do ensino médio: 84,1% declaram ter se dedicado menos às aulas virtuais. Na média, os pais afirmam que seus filhos estudaram apenas 2,5 horas por dia.

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