Política

Petrolina vive eleições mornas sem alegria,sem engajamento

A corrida eleitoral em Petrolina está fria, é o mínimo que posso afirmar. Seis candidatos concorrem à prefeitura, sendo quatro com direito ao horário eleitoral e participação nos debates (Lara Cavalcanti, Odacy Amorim, Julio Lossio e Simão Durando). A legislação assegura espaço na mídia, mas, mesmo assim, parece que poucos estão realmente interessados. Os indícios de envolvimento, que costumavam marcar esse período, parecem estar adormecidos.

Chegando ao meu local de trabalho, estava lendo a pauta quando ouvi, sem querer, uma conversa que exemplificava claramente esse desinteresse. Dois homens mais velhos, na faixa dos 60 ou 70 anos, debatiam sobre o cenário político, porém não o da região. Estavam discutindo sobre São Paulo e o candidato Pablo Marçal,a cadeirada, mencionando a possibilidade dele se tornar o novo líder da direita, superando até o ex-presidente Bolsonaro. Fiquei um pouco surpreso ao ouvir esse nome sendo tratado com tanta relevância aqui, e não pude deixar de refletir sobre o quanto as pessoas de Petrolina estão mais preocupadas com o que acontece a muitos quilômetros de distância, mas desinteressadas com a realidade local.

Lembro que antes as ruas fervilhavam de movimentos políticos, mas agora mal se ouve o som de uma buzina anunciando apoio a algum candidato.

Parti para estúdio,porém,aquela conversa que ouvi, ficava ecoando na minha mente. E não era só aquela. Há alguns dias, em um conversa com amigos na redação, percebemos como a disputa eleitoral deste ano não tem a cara de disputa. Onde foram parar as carreatas, comícios e passeatas? Lembro que antes as ruas fervilhavam de movimentos políticos, mas agora mal se ouve o som de uma buzina anunciando apoio a algum candidato. O guia eleitoral, então, resumido a míseros dez minutos, pouco permite que se preste atenção nas propostas. Quem liga a TV no horário político não tem tempo de digerir as ideias apresentadas.

Esta campanha desbotada só beneficia quem já está no poder, quem tem mandato. Afinal, quem está na máquina pública já tem vantagem nesse tipo de cenário, e a oposição perde espaço para fazer-se opção com viabilidade, enquanto a renovação no parlamento e na prefeitura parece cada vez mais improvável. O eleitor, por sua vez, fica num marasmo de desinteresse, absorvendo pouca coisa — quando absorve.

O cenário político da capital do Sertão tão esquálido, contrasta com as cidades menores no interior de Pernambuco. Pelas redes sociais, vemos fotos e vídeos de cidades pequenas e médias onde as campanhas sacodem as cidades. Em Cabrobó, por exemplo, a coisa tá intensa. Quase todos os dias tem movimento. Ali, os candidatos conseguem mobilizar as emoções das pessoas, e com razão. Nessas localidades, a prefeitura é a maior empregadora, e isso, por si só, já é suficiente para engajar boa parte da população.

Com uma campanha que parece um período sem campanha, fica difícil sentir qualquer fervor político.

Aqui em Petrolina, é verdade que há uma quantidade significativa de contratos, tanto na prefeitura quanto no governo do estado, mas mesmo assim, a apatia reina. Não sei se é cansaço, desilusão ou falta de novidade. Só sei que, com uma campanha que parece um período sem campanha, fica difícil sentir qualquer fervor político. E eu, assim como muitos, sigo com a sensação de que o calendário eleitoral passa, mas não deixa marcas. 6 de outubro é logo ali.

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