Política
Atenção! vereadores em Petrolina tem usado o medo como arma e assustam a população

O medo tem sido amplamente empregado na política brasileira como uma ferramenta estratégica para manipular a opinião pública, consolidar poder e justificar medidas autoritárias ou desproporcionais. Em Petrolina, discursos inflamados frequentemente exploram inseguranças reais ou percebidas, promovendo um ambiente de polarização e identificando “inimigos” que desencorajam o debate racional.
Nas duas últimas sessões ordinárias realizadas nesta semana, na terça e quinta-feira, dias 10 e 12 de março, esse recurso foi destacado nos discursos de alguns vereadores. O professor Gilmar Santos, do PT, utilizou o medo para instigar seu grupo a desacreditar os vereadores da situação, alegando que eles agem exclusivamente em benefício do governo em troca de cargos e outras vantagens.
Por outro lado, vereadores como Ronaldo Cancão, Zenildo do Alto do Cocar, Manoel da Acosap, entre outros, também têm utilizado esse artifício para intimidar aqueles que se opõem ao governo municipal. Nota-se uma estratégia recorrente: narrativas são criadas para transformar grupos opositores, minorias sociais ou ideias divergentes em ameaças aos valores morais, à sociedade ou à família.
Essa abordagem tende a facilitar a aceitação de discursos que alimentam tais divisões. Um tema frequentemente explorado nos pronunciamentos na Casa Plínio Amorim é a insegurança. Apesar de ser uma preocupação legítima, ela muitas vezes é instrumentalizada como justificativa para a implementação de políticas de segurança simbólicas, ineficientes e com viés punitivista. Essas medidas buscam mais provocar impacto emocional do que fornecer soluções eficazes.
Nesse contexto, alguns discursos transferem a responsabilidade pelo problema ora à governadora Raquel Lyra, ora ao prefeito de Petrolina, Simão Durando. Outro aspecto preocupante dos discursos políticos na cidade é a tentativa de descredibilizar a política como um todo, promovendo a ideia de que a democracia é um sistema fragilizado e ineficaz.
Essa narrativa abre espaço para o fortalecimento da percepção de que soluções autoritárias seriam opções mais viáveis. O uso do medo não está restrito à questão da violência; ele se tornou uma ferramenta ativa para criar blocos eleitorais polarizados na Câmara Municipal. Adversários deixam de ser apenas opositores políticos e passam a ser tratados como inimigos a serem derrotados ou eliminados, o que agrava conflitos sociais.
Essa exploração do medo como recurso político transforma inseguranças individuais em instrumentos de controle social e preservação do status quo. Dentro desse contexto, a figura do “inimigo” funciona como um elemento unificador para fortalecer grupos internos e justificar ações que frequentemente comprometem os princípios democráticos.




