Política
Após alerta médico Bolsonaro freia corrida contra o tempo diante de STF e eleição
A suspensão dos compromissos foi anunciada nesta terça-feira (1º) após uma consulta médica de emergência. Bolsonaro, 70 anos, está enfrentando episódios frequentes de soluços e vômitos, que o dificultam até mesmo de se expressar, de acordo com o ex-presidente.

A suspensão de suas atividades ocorre após um episódio de tensão entre apoiadores de Bolsonaro, associado a um evento na avenida Paulista, em São Paulo, que teve menos participantes comparado a eventos anteriores.
Na véspera da manifestação, Bolsonaro relatou problemas de saúde e teve episódios de vômitos. De acordo com seus aliados, ele vinha enfrentando dificuldades para dormir e sentindo-se bastante cansado.
No sábado, residindo no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, ele decidiu não receber ninguém e optou por se manter recluso até o momento de seguir para a Paulista.
O ex-presidente está inelegível devido a condenações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e também é réu em um caso relacionado a uma suposta trama golpista. Os assessores dos ministros e advogados envolvidos no caso acreditam que o julgamento ocorrerá em setembro.
Durante o ato, ele deu a entender que, por enquanto, não tem a intenção de discutir uma eventual transição de poder. Contudo, afirmou que não seria necessário ser presidente para liderar o país. “Se vocês me derem, nas eleições do ano que vem, 50% da Câmara e 50% do Senado, eu mudarei o futuro do Brasil”, declarou.
Enquanto o presidente falava, dois governadores que podem ser candidatos à presidência em 2026 o acompanhavam: Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais. Outros dois líderes estaduais também são considerados possíveis concorrentes na próxima eleição, representando a direita e a centro-direita: Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).
“Se vocês me derem isso [maioria de deputados e senadores], não importa onde eu estiver, aqui ou em outro lugar, quem liderar terá mais poder do que o presidente da República”, disse Bolsonaro na Avenida Paulista.
As fontes do ex-presidente indicam que a pressão para que ele transfira o comando para outra pessoa tem crescido nas últimas semanas, especialmente após as declarações do STF.
No entanto, pessoas próximas a Bolsonaro consideram essa possibilidade improvável, se não impossível, neste momento. Afinal, reunir apoiadores e se estabelecer como uma figura política relevante é um dos poucos trunfos do ex-presidente diante do Supremo atualmente.
Além disso, há uma constante análise de que ele necessita de seu capital político para sua defesa legal. Portanto, mesmo que desejem que um sucessor seja indicado em breve, seus aliados reconhecem a importância de defender sua própria candidatura.
Um colaborador de Caiado acredita que a declaração do ex-presidente pode ser um indicativo de que ele está percebendo uma diminuição em seu poder, o que pode explicar sua reação.
O governador de Goiás é um pré-candidato pela União Brasil e já declarou que pretende conceder indulto ao ex-presidente, assim como os outros três governadores que estão sendo cogitados como possíveis sucessores de Bolsonaro.
Essa medida foi até mesmo apresentada como uma condição pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho mais velho do ex-presidente, para um possível apoio a uma candidatura presidencial no próximo ano.
Embora quase ninguém discuta abertamente com Bolsonaro sobre a chance de ele não concorrer, ele demonstra descontentamento com esses movimentos externos e faz questão de que seus aliados também percebam isso.
A pressão também vem de partes do setor empresarial e de líderes de partidos da direita e centro-direita, que dialogam com aliados do governador de São Paulo, na esperança de que Tarcísio seja escolhido para sua sucessão.
Contudo, um apoiador de Tarcísio afirma que essa insistência para que ele passe o comando neste momento prejudica tanto o governador quanto o ex-presidente. Má interpretações sobre qualquer sinal do governador poderiam ser vistas como uma traição ao seu mentor político.
O governador de São Paulo nega publicamente qualquer intenção eleitoral que não seja a busca pela reeleição no próximo ano. Um dos colaboradores de Tarcísio comentou para a Folha que o anseio de Bolsonaro em ter uma grande base no Congresso Nacional é algo irreal. Para esse colaborador, o ex-mandatário, em termos práticos, teria influência apenas sobre os membros do PL, o que é percebido por aqueles próximos a Bolsonaro.
A redução no último evento leva os membros do PL a decidir também por diminuir o número de mobilizações. A avaliação é que isso pode, em algum momento, desgastar a base de apoio. O próximo evento está agendado para 7 de setembro, e os organizadores esperam atrair um público muito maior, especialmente pelo significado simbólico que essa data possui para os apoiadores de Bolsonaro.




