Saúde
Setembro Amarelo: suicídios preocupam população mundial
O suicídio é um fenômeno multifatorial, ou seja, são vários elementos envolvidos que levam à decisão de uma pessoa tirar a própria vida. Por isso, é preciso uma articulação de setores e saberes para que ações de prevenção sejam bem sucedidas.

De suicídio pouco se fala no Brasil. No entanto, o número de pessoas que tiram a própria vida cresce silenciosamente. O País vive um drama, aonde o número de pessoas que se matam, perde apenas para os homicídios e os acidentes de trânsito. Em todo planeta, a morte por suicídio, principalmente entre os jovens, é mais frequente que por AIDS.
O suicídio é um fenômeno multifatorial, ou seja, são vários elementos envolvidos que levam à decisão de uma pessoa tirar a própria vida. Por isso, é preciso uma articulação de setores e saberes para que ações de prevenção sejam bem sucedidas.
Além disso, o tema não pode ser tratado como tabu. A avaliação é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, em um cenário em que o país enfrenta alta no número de pessoas que tiram a própria vida.
O número de suicídios no Brasil cresceu 11,8% em 2022 na comparação com 2021. O levantamento faz parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho. Em 2022, foram 16.262 registros, uma média de 44 por dia. Em 2021, foram 14.475 suicídios. Em termos proporcionais, o Brasil teve 8 suicídios por 100 mil habitantes em 2022, contra 7,2 em 2021.
As pessoas que mais se suicidaram foram as menos escolarizadas, indígenas (132% mais casos que na população em geral) e homens maiores de 59 anos (29% a mais que as outras faixas etárias). Esse aumento deve-se, em muito, pelos efeitos da pandemia de covid-19.O cenário pandêmico resultou em aumento do desemprego e precarização das condições de trabalho.
Elementos que se acumularam com outros fatores de risco para a saúde mental da população, como ansiedade, solidão, estresse. Fatores decorrentes tanto do isolamento social quanto dos lutos e perdas de amigos e/ou familiares.
O suicídio é predominante no sexo masculino, com exceção da Índia e China. Os homens brasileiros têm 3,7 vezes mais chances de se matar que as mulheres, de acordo com o estudo da UFBA.
Mundo
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada ano, mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida no mundo. Isso representa, em média, um caso a cada 40 segundos. É a quarta maior causa de morte em jovens entre 15 e 29 anos. Há indícios de que, para cada pessoa que morre por suicídio, é provável que haja mais de 20 outras que tentam dar fim à própria vida.
“A diferença dos números entre os gêneros é geralmente atribuída a maior agressividade, maior intenção de morrer e uso de meios mais letais entre os homens”, dizem os estudos. Ainda segundo o texto, as mulheres “são mais religiosas, o que pode se tornar um fator de proteção”.
Sentimentos
Uma pesquisa de uma universidade do Canadá, encontrou a associação da mortalidade por suicídio com a tendência de expor sentimentos. A taxa era menor nas regiões onde os homens eram mais propensos a falar sobre o que sentiam.
O que é o Setembro Amarelo?
Em primeiro lugar, o Setembro Amarelo é uma campanha fundada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), em 2015. Sendo assim, o mês busca trazer atenção especial para o diálogo e a conscientização da prevenção do suicídio, associando o mês ao dia Mundial da Prevenção do Suicídio (10 de setembro).
No mundo todo, são cerca de 800 mil suicídios por ano e estima-se que uma pessoa tire a própria vida a cada 40 segundos. Só no Brasil, anualmente são 12 mil mortes, sendo que o suicídio é a terceira causa de morte de jovens. Além disso, infelizmente, esse número tem aumentado!
Mesmo assim, o assunto ainda é um tabu: não falamos dele. Por um lado, a mídia evita por medo de aumentar os números, por outro as pessoas evitam por medo do assunto em si e, com isso, acabamos cortando o diálogo necessário para atuar na prevenção.
Porém reforçamos o alerta: falar sobre suicídio é extremamente necessário e é uma questão de saúde pública. Ainda mais porque a maior parte dos casos são mortes evitáveis em que a pessoa apresenta sinais de doenças/transtornos mentais que têm tratamento.




