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Aumenta número de mulheres na eleição em Petrolina, mas desigualdade é a mesma de anos anteriores
Outro obstáculo é o tratamento desigual em relação a candidatos homens. A professora que, apesar que sua sobrinha estar em um partido com mais mulheres em cargos de liderança, precisa marcar posição para conseguir reconhecimento e reduzir as desigualdades.
Apesar do crescimento desde as eleições municipais de 2012 e dos avanços na legislação eleitoral, as mulheres ainda enfrentam dificuldades para realizarem campanhas mais competitivas.
“Fazer campanha sem recursos financeiros e sem uma ‘fama’ no campo político é bastante desafiador”, conta a professora Mirtes andrade, 40. Moradora do Pedro Raimundo, zona oeste de Petrolina, ela tem uma sobrinha que é estreante na política e disputa um cargo na Câmara Municipal.
Outro obstáculo é o tratamento desigual em relação a candidatos homens. A professora que, apesar que sua sobrinha estar em um partido com mais mulheres em cargos de liderança, precisa marcar posição para conseguir reconhecimento e reduzir as desigualdades.
O aumento da presença feminina na eleição não veio por acaso ou por vontade exclusiva das legendas. Foi necessário mudar a lei. A Emenda Constitucional 97, sancionada em 2017, proibiu, a partir de 2020, a celebração de coligações nas eleições proporcionais para a Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Assim, a partir desse ano, a cota de 30% de candidaturas femininas deverá ser cumprida pelos partidos individualmente e não mais pelas coligações.
Um dos principais impactos dessa mudança na legislação é o fomento à participação feminina na política. Entretanto, como observam os especialistas na área, o mínimo acabou virando o número máximo.
“Sempre que falamos em incentivo à participação política de mulheres pelos partidos, vemos o movimento do mínimo transformado em teto. Ao invés de podermos focar no aumento, ir além dos 30%, precisamos gastar tempo e energia para garantir que o mínimo seja cumprido”, avalia, Carlos Sobreira, especialista em campanhas eleitorais.
Neste ano, o número de candidaturas femininas teve um pequeno crescimento em relação às eleições municipais de 2016. Apesar do aumento, o número ainda é bem próximo da cota mínima.
