Política
Governadora Raquel Lyra começa a formar o time de federais do PSD
A governadora Raquel Lyra está ouvindo prefeitos filiados até agora, mais de 70, para saber até onde pode ir para ajudar com votos os pré-candidatos

O desafio de fortalecer a representatividade do PSD na Câmara Federal em Pernambuco, onde atualmente conta com apenas um deputado, Fernando Monteiro, tem levado a governadora Raquel Lyra a buscar articulações políticas junto aos mais de 70 prefeitos que se filiaram à legenda este ano.
O objetivo é entender até que ponto é possível mobilizar votos para apoiar os pré-candidatos do partido no estado. A movimentação já trouxe os primeiros resultados. A governadora deu aval ao secretário de Meio Ambiente, Daniel Coelho, para anunciar em suas redes sociais o apoio da prefeita de Olinda, Mirella Almeida. Embora o alinhamento entre Mirella e Daniel tenha sido acertado informalmente há dias, ambos aguardavam a autorização do Palácio do Campo das Princesas para oficializar o apoio.
Na Região Metropolitana, outros prefeitos também entram no radar político. Mano Medeiros, de Jaboatão, ainda está sem candidato a deputado federal declarado e, após se afastar dos Ferreiras, criou um espaço estratégico nesse cenário. Já Diego Cabral, de Camaragibe, garantiu previamente à governadora que apoiaria Carlos Costa, irmão do ministro Silvio Costa Filho, mesmo antes de sua filiação ao PSD.
Nos bastidores especula-se que Raquel Lyra pode convencer outros prefeitos da região a reverem alianças e somarem forças ao partido. Embora a governadora tenha se comprometido a respeitar o apoio alinhado pelas lideranças locais a diferentes candidatos, em contato direto com pessoas próximas, foi confirmado que Raquel se dedicará intensamente até março para garantir votos suficientes que possam eleger até cinco deputados federais pelo PSD.
Entre os nomes cotados para se unir ao partido estão Mendonça Filho e Junior Uchoa. Este último planeja um encontro com a governadora após as férias e pode se tornar a escolha do prefeito de Jaboatão, caso opte por se filiar ao partido. No campo das especulações federais, o ministro Silvio Costa Filho, que se autointitula “senador de Lula”, continua pleiteando presença na chapa do prefeito João Campos. Contudo, para isso ser viabilizado, seria necessário um apoio direto do presidente Lula para conquistar uma das vagas atualmente associadas ao senador Humberto Costa e ao próprio Silvio – tarefa considerada desafiadora.
Há ainda rumores de sua indicação ao posto de vice na chapa. Caso não consiga avançar nesses planos, o ministro pode optar por permanecer no ministério e coordenar a campanha de Lula no Nordeste, apostando simultaneamente nas candidaturas de seus irmãos, Carlos Costa (deputado federal) e João Paulo Costa (deputado estadual).
Outro ponto que tem mexido nos bastidores políticos é a disputa pela Federação União Progressista entre Raquel Lyra e João Campos. Caso o prefeito consiga atrair a federação para sua base, não apenas aumentaria seu tempo de TV, mas também fortaleceria seu projeto político ao viabilizar Miguel Coelho como candidato a uma das vagas no Senado.
Com a maior bancada federal da federação e um dos maiores tempos de rádio e TV, essa movimentação teria um peso significativo no cenário eleitoral. Por outro lado, sem esse apoio, Raquel dependeria apenas do PSD, Podemos e Avante, ou buscaria alianças com o PL – o que poderia render desafios políticos no reduto eleitoral de Lula em Pernambuco. As articulações continuam em alta e prometem desenhar caminhos estratégicos, consolidando alianças que impactarão decisivamente nas próximas disputas políticas do estado e da região.




