
As viagens de moto através de aplicativos geram atividade econômica no Brasil, conforme revelam pesquisas realizadas pela Uber e 99 junto a centros de estudos. De acordo com essas companhias, esse meio de transporte oferece benefícios econômicose se tornou a escolha de locomoção nas cidades para pessoas com menores rendimentos.
Entretanto, certos especialistas afirmam que existem aspectos negativos, considerando que essa atividade ocorre fora da legalidade e sem a devida proteção para os usuários e motociclistas.
Em meio a esse embate, a cidade de Petrolina, em Pernambuco, não regulamentou as viagens de moto por aplicativo, proibindo a atividade nas ruas da terceira maior cidade do Estado. Em outros municípios, porém, elas ocorrem sem restrições. No Recife (PE), por exemplo, não há regulamentação para essa atividade. Assim, mesmo sem previsão na lei ou aval do município, as corridas de moto com passageiros por meio de aplicativo acontecem de qualquer forma.
Uma pesquisa conduzida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) em parceria com a 99 apontou que, em 2023, a 99Moto teve um impacto de mais de R$ 5 bilhões no PIB nacional. O valor representa 0,05% do PIB do ano passado, que foi de R$ 10 trilhões. Ao mesmo tempo, essa atividade “gerou mais de R$ 461 milhões em impostos municipais, estaduais e federais, além de garantir mais de 114 mil empregos indiretos”, afirma a 99 em nota.
Nayra Sombra, sócia da HCI Invest e planejadora financeira, comenta sobre o impacto dessa atividade. De acordo com ela, “esses trabalhadores, ao ganharem dinheiro, consomem mais em suas comunidades, comprando desde combustível até itens de manutenção e segurança, o que, por sua vez, gera emprego e renda em outros setores. Portanto, essa movimentação financeira cria um efeito multiplicador”.
Os benefícios, segundo Nayra, não se restringiriam ao âmbito local. “No contexto macroeconômico, quando muitas famílias conseguem economizar e consumir mais, há aumento na demanda por produtos e serviços. Isso pode gerar um efeito cascata, estimulando o crescimento econômico.”
Motocicletas são o modal preferido da população com baixa renda
O Uber, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), fez uma pesquisa entre fevereiro e setembro de 2023 nas cidades de Fortaleza (CE), Manaus (AM) e Rio de Janeiro (RJ).
O estudo determinou que “os que têm até dois salários mínimos de renda são os que mais se favoreceram com a chegada do serviço. De forma simplificada, o benefício econômico é gerado porque o Uber Moto oferece uma alternativa de deslocamento a custo reduzido”, afirma e empresa em nota.
Reflexo negativo na economia
Os impactos econômicos, no entanto, não são apenas positivos. Uma pesquisa divulgada em 2024 pelo Centro de Liderança Pública (CPL) apontou que os sinistros de trânsito retiram R$ 21 bilhões do PIB nacional todos os anos, o correspondente a 0,21% do indicador econômico. O número foi obtido levando em conta quanto as pessoas que morreram em acidentes poderiam produzir se continuassem vivas.
Apesar do estudo do CLP não isolar as ocorrências com motocicletas, dados apontam que esse modal é responsável pela maior parte dos acidentes fatais de trânsito no País e, por consequência, gera a maior parcela do prejuízo financeiro.
De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), entre 2010 e 2019 ocorreram cerca de 392 mil mortes em sinistros no trânsito do Brasil, os óbitos em motocicletas representam 44% dos falecimentos na faixa de 15 a 29 anos. Segundo o HU de Petrolina, as motos são o modal que mais causou acidentes em Petrolina neste ano, com o dobro dos casos envolvendo automóveis de quatro rodas ou mais.


