Política

Indiciamento de Bolsonaro tem mais apoio do que críticas nas redes, mostra pesquisa

O estudo avaliou o teor das 120 publicações que mais engajaram em cada uma das três redes sociais analisadas. Foram 360 publicações que representam quase 95% de todo o engajamento (reações, comentários e compartilhamentos) registrado no ambiente digital no período

O indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela Polícia Federal por tentativa de golpe de Estado em investigação nas Operações Tempus Veritatis e Contragolpe é aprovada por três a cada quatro postagens opinativas nas redes sociais. Levantamento do instituto de pesquisa Nexus com a análise de 3,8 publicações no Instagram, Facebook e X (antigo Twitter), entre quinta-feira, 21, e sexta-feira, 22, mostra ainda que 28% de todos as postagens, entre noticiosas e opinativas, foram favoráveis ao indiciamento.

Na quinta-feira, a PF divulgou o relatório final das investigações e atribuiu ao ex-chefe do Executivo, militares de alta patente e aliados os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. Somadas, as penas máximas previstas para esses delitos chegam a 28 anos de prisão.

O levantamento da Nexus nas redes sociais mostra que, entre os posts que somam quase 95% do engajamento, 28% apoiam a atuação da Polícia Federal, 9% são contra e 63% são neutros. Entre os posts que expressam algum posicionamento, três a cada quatro (75%) são favoráveis ao indiciamento de Bolsonaro. Outros 25% são contrários.

Foram analisadas publicações no X, Facebook e Instagram, entre 00h do dia 21 e 10h do dia 22 de novembro. As postagens do X indicam o maior porcentual de aprovação do indiciamento, com 46% a favor, seguido por 37% neutros e 18% contrários.

Já no Instagram prevaleceu a neutralidade (82%), seguida por 17% a favor e apenas 2% contra. O cenário é semelhante ao encontrado pelo instituto nas publicações no Facebook: 70% das publicações neutras, 21% favoráveis ao indiciamento e 9% contrárias.

O estudo avaliou o teor das 120 publicações que mais engajaram em cada uma das três redes sociais analisadas. Foram 360 publicações que representam quase 95% de todo o engajamento (reações, comentários e compartilhamentos) registrado no ambiente digital no período.

O pico de publicações e reações sobre o tema ocorreu entre 15h30 e 16h, pouco tempo após a informação ser divulgada pela Polícia Federal, por volta das 15h.

Mas afinal, o que é um golpe de estado?

Um golpe de Estado (também referido internacionalmente como coup d’État, em francês, e putsch ou staatsstreich, em alemão) consiste no derrube ilegal de um governo constitucionalmente legítimo por uma facção política, militares ou um ditador. Distingue-se de uma revolução na medida em que esta última é popular e emprega uma transformação social profunda. Os golpes de Estado podem ser violentos ou não, e podem corresponder aos interesses da maioria ou de uma minoria.

O ato do golpe de Estado pode consistir simplesmente na aprovação, por parte de um órgão de soberania, de um diploma que revogue a constituição e que confira todo o poder do Estado a uma só pessoa ou organização.

Tem este nome de golpe porque se caracteriza por uma ruptura institucional repentina, contrariando a normalidade da lei e da ordem e submetendo o controle do Estado (poder político institucionalizado) a pessoas que não haviam sido legalmente designadas (fosse por eleição, hereditariedade ou outro processo de transição legalista).

Já houve golpe de Estado no Brasil?

Sim, golpes de Estado já foram realizados no Brasil. A república no Brasil é marcada por inúmeros golpes e por tentativas de golpe. Precisamos considerar que o Brasil é um país de longo histórico autoritário, sendo que a democracia em nosso país ainda engatinha e convive com inúmeros desafios.

A república no Brasil foi iniciada a partir de um golpe que concretizou a derrubada da monarquia, em 15 de novembro de 1889. Poucos anos depois da proclamação da República, uma tentativa de golpe foi realizada por Deodoro da Fonseca, então presidente do Brasil, que ordenou o fechamento do Congresso Nacional, medida considerada inconstitucional.

Ao longo da história brasileira, ainda houve a derrubada do governo de Washington Luís, em 1930. Esse acontecimento se deu por meio de um levante armado que culminou em um golpe que ficou conhecido como Revolução de 1930. Após isso, Getúlio Vargas assumiu a presidência do Brasil. Em 1937, o próprio Getúlio realizou um autogolpe, instaurando a ditadura do Estado Novo.

Na sequência, Getúlio Vargas foi deposto por meio de um golpe militar, em 1945, que forçou a saída do político gaúcho, e o poder foi temporariamente devolvido para os civis, que governaram o país até 1964. Nesse ano, um golpe civil-militar foi organizado pelos militares e grupos das elites civis, como a imprensa e os grandes empresários. O golpe de 1964 deu início à Ditadura Militar, que se manteve até 1985, quando foi iniciada a redemocratização do Brasil.

 

Tags

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Também

Fechar
Fechar