Política

A hipocrisia de Carlos Britto: blogueiro critica Atlântico Transportes, empresa que lhe pagou fortuna em marketing

Agora em permanente modo de pré-candidato, Britto, que reside em uma mansão à beira Rio São Francisco, assume a aparência de fiscal dos pobres e protetor do transporte coletivo.

O blogueiro Carlos Britto, que recentemente se colocou como porta-voz dos trabalhadores sem camisa de Petrolina, superou-se ao longo desta semana. Depois de anos recebendo valores elevados da empresa de ônibus Atlântico, ele agora deseja ingressar na política e, por isso, passou a criticar com veemência os serviços da companhia, alegando fazê-lo em defesa dos trabalhadores do Vale São Francisco.

Ora, Carlos Britto, menos, por favor. Para quem desconhece, o blogueiro possui uma agência de publicidade milionária que detinha dezenas de placas de propaganda nas traseiras desses ônibus. Durante anos, comercializou esses espaços para empresas e até para órgãos públicos. Mas por que Carlos Britto passou a criticar o serviço da Atlântico agora? A explicação é óbvia: perdeu a boquinha. A empresa extinguiu o benefício e o blogueiro/candidato deixou de ter placas nos ônibus para lucrar.

Agora em permanente modo de pré-candidato, Britto, que reside em uma mansão à beira Rio São Francisco, assume a aparência de fiscal dos pobres e protetor do transporte coletivo.

O problema é que Petrolina não esquece. E tem memória muito boa!.

Por muito tempo, tudo transcorria tranquilamente. Não havia discursos inflamados. Não surgiam manifestações públicas. Não havia campanhas em defesa do passageiro espremido sob o sol do sertão. Mas, quando a parceria comercial cessou, de repente o sistema passou a ser tratado como um escândalo insuportável.

Que coincidência curiosa.

A realidade é que parte da política contemporânea transformou-se num grande espetáculo itinerante. Há quem amanheça candidato e adormeça revolucionário. No dia seguinte, grava-se um vídeo dentro do carro importado discursando em nome do “povão” que pega ônibus às seis da manhã.

Petrolina sabe distinguir quem labuta de verdade e quem só descobriu agora que um vídeo indignado gera engajamento. No final, o mais curioso de tudo é observar certos “porta-vozes do povo” tentando persuadir a cidade de que sempre estiveram ao lado da população.

Só esqueceram que a internet não apaga lembranças. E que os ônibus também não.

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